Altas Habilidades e Superdotação: Compreendendo e Apoiando o Potencial
- Juciely Neves
- 24 de mar.
- 2 min de leitura

As altas habilidades e a superdotação são temas que ainda geram dúvidas e, muitas vezes, são cercados por mitos e estereótipos. Compreender as características desses alunos, identificar suas potencialidades e oferecer suporte adequado são passos essenciais para o desenvolvimento pleno de suas capacidades.
De acordo com Guimarães e Ourofino (2007), os alunos com altas habilidades/superdotação apresentam desempenho significativamente acima da média em uma ou mais áreas do conhecimento, como intelectual, criativa, artística ou motora. Esse grupo heterogêneo pode manifestar habilidades em diferentes dimensões, sendo necessário um olhar atento e criterioso para sua identificação.
Além do desempenho acadêmico elevado, esses estudantes podem apresentar características emocionais e sociais distintas, como sensibilidade acentuada, curiosidade intensa, pensamento divergente e elevada capacidade de resolução de problemas (GUIMARÃES; OUROFINO, 2007).
A identificação de estudantes com altas habilidades deve considerar múltiplas dimensões, utilizando métodos diversos para uma avaliação mais completa. Segundo Virgolim (2014), os instrumentos desenvolvidos por Joseph Renzulli são eficazes para esse processo, pois avaliam não apenas a capacidade intelectual, mas também a criatividade e o envolvimento com a tarefa.
Além disso, é importante observar comportamentos como:
Rapidez em aprender novos conceitos;
Capacidade de pensamento abstrato e analítico;
Persistência em áreas de interesse;
Curiosidade acima da média.
A identificação pode ocorrer em diferentes fases do desenvolvimento, desde a educação infantil até o ensino superior, sendo fundamental que educadores e famílias estejam atentos aos sinais (VIRGOLIM, 2014).
Embora o senso comum associe altas habilidades a um percurso escolar tranquilo, esses estudantes enfrentam desafios específicos. De acordo com Virgolim (2021), as vulnerabilidades podem incluir questões sociocognitivas e afetivas, como isolamento social, tédio em sala de aula e dificuldades de adaptação a metodologias tradicionais de ensino.
Outros desafios incluem a falta de compreensão por parte da comunidade escolar e a ausência de programas especializados que atendam às necessidades desse público (VIRGOLIM, 2021).
Para atender de forma eficaz esses estudantes, é necessário que as práticas pedagógicas sejam adaptadas e desafiadoras. Fleith (2007) destaca que a construção de práticas educacionais deve envolver estratégias como:
Enriquecimento curricular;
Aceleração de estudos quando necessário;
Projetos de pesquisa independentes;
Ambiente de aprendizagem flexível e estimulante.
Essas abordagens favorecem não apenas o desenvolvimento acadêmico, mas também as habilidades socioemocionais e a criatividade (FLEITH, 2007).
A família desempenha um papel essencial no suporte ao desenvolvimento desses estudantes. Segundo Azevedo e Mettrau (2010), é importante que os familiares compreendam as necessidades específicas dos filhos e incentivem sua autonomia e criatividade.
Algumas estratégias para a família incluem:
Apoiar os interesses do aluno;
Estimular a participação em atividades extracurriculares;
Manter diálogo aberto sobre suas emoções e experiências;
Buscar apoio especializado quando necessário.
Embora nem todos os alunos com altas habilidades precisem de acompanhamento contínuo, a orientação especializada pode ser crucial para lidar com desafios emocionais, sociais e acadêmicos. Intervenções personalizadas ajudam a maximizar o potencial desses estudantes e a mitigar possíveis dificuldades (PÉREZ; FREITAS, 2011).
Portanto, o reconhecimento e o suporte adequado aos alunos com altas habilidades/superdotação são essenciais para que eles alcancem seu pleno desenvolvimento e contribuam de forma significativa para a sociedade.
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