Além do Diagnóstico: O Que a Avaliação Neurofisiológica Revela Sobre Você
- Juciely Neves
- 19 de ago.
- 2 min de leitura

O diagnóstico de TDAH é exclusivamente clínico. No entanto, nós somos muito mais do que um diagnóstico.
Um estudo duplo-cego investigou a associação entre biomarcadores sanguíneos de inflamação subclínica e as alterações no eletroencefalograma quantitativo (EEG-q) e marcadores neurofisiológicos de pacientes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Os resultados mostraram que indivíduos com TDAH apresentavam:
Níveis sanguíneos alterados de marcadores inflamatórios;
Aumento de ondas lentas delta (2–4 Hz) e theta (4–7 Hz) no EEG, associadas à fadiga mental, dificuldades de atenção e maior vulnerabilidade emocional.
Esses achados reforçam que o TDAH não deve ser visto apenas como uma questão comportamental ou de foco, mas como um fenômeno complexo, que envolve cérebro, corpo e metabolismo.
O Papel da Avaliação Neurofisiológica
É aqui que a neurometria funcional ganha protagonismo.
Diferente de exames que apenas confirmam a presença do transtorno, a neurometria permite visualizar como o organismo está funcionando em tempo real:
Mostra sinais de inflamação silenciosa;
Avalia a reserva funcional do cérebro e do sistema nervoso;
Identifica padrões fisiológicos que mantêm ou intensificam os sintomas.
Assim, não se trata apenas de receber um diagnóstico, mas de compreender o que há além dele — e o que acentua os sintomas e desconfortos.
Diagnóstico não é sentença
Quando olhamos para além dos sintomas, encontramos caminhos terapêuticos que reduzem a intensidade dos sinais do TDAH e melhoram a qualidade de vida.
Isso inclui estratégias que vão desde ajustes nutricionais e hábitos de vida até protocolos de neurofeedback, biofeedback e modulação fisiológica, dentro de um acompanhamento multidisciplinar.
A conclusão é clara:
👉 O diagnóstico não é o fim, mas o ponto de partida.
👉 Com uma visão funcional e integrativa, é possível transformar limitações em oportunidades de desenvolvimento e saúde.
Compatibilidade entre Neurometria Funcional e Exames Sanguíneos no TDAH
Domínio Avaliado | Resultados Neurometria Funcional (NF) | Resultados Exames de Sangue | Compatibilidade |
Reserva Funcional / Controle de Ansiedade | Mediana de 37% (esperado >75%) → baixa capacidade de autorregulação autonômica. | Vitamina D reduzida (<40 ng/mL em 77% dos casos) → déficit imunometabólico que compromete regulação do SNC. | Ambos indicam baixa resiliência fisiológica. |
Sistema Nervoso Autônomo (SNA) | Índice barorreflexo: 87% (normal >90%) → função autonômica comprometida. | Marcadores inflamatórios elevados (leucócitos, eosinófilos, neutrófilos). | Inflamação crônica impacta SNA → achados coerentes. |
Disfunções Hemodinâmicas / Fisiológicas | Alterações nos parâmetros cardiovasculares e de oxigenação → sinais de sobrecarga autonômica. | IgE elevada → processos inflamatórios e intolerâncias alimentares. | Ambos sugerem resposta inflamatória sistêmica. |
Inflamação / Estresse Fisiológico | NF detecta baixa reserva e maior exaustão autonômica. | Proteína C-reativa e fibrinogênio sem diferenças significativas, mas perfil inflamatório evidente em outros marcadores. | Perfil de inflamação subclínica compatível. |
CALAFANGE, Murilo Tolêdo. Associação entre biomarcadores sanguíneos de inflamação subclínica e o aumento de ondas lentas delta (2-4 Hz) e theta (4-7 Hz) observadas no EEG quantitativo de pacientes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). 2023. 47 f. Dissertação (Mestrado em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento) – Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Ciências da Saúde, Recife, 2023.
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