top of page
Buscar

Neurometria e o Segundo Cérebro: Como o Intestino Conversa com a Mente


ree

Você já ouviu falar que o intestino é o nosso “segundo cérebro”? Essa expressão não é apenas uma metáfora — é fisiologia pura. O intestino e o cérebro mantêm uma comunicação constante por meio do eixo intestino–cérebro, envolvendo a microbiota intestinal, o nervo vago e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA).

A ciência já mostrou que a microbiota intestinal é capaz de produzir neurotransmissores, como serotonina, GABA e dopamina, além de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), como o butirato. Esses metabólitos influenciam diretamente o humor, o estresse, a atenção e até o sono. Esse diálogo é bidirecional: o cérebro regula o intestino, e o intestino, por sua vez, modula o cérebro.

Hoje, esse eixo é considerado um dos campos mais promissores da saúde mental.

Prebióticos e Probióticos: Nutrição que Conversa com o Cérebro

🔹 Prebióticos são fibras fermentáveis (como inulina, FOS e GOS) que alimentam as bactérias benéficas do intestino. Essa fermentação aumenta a produção de SCFAs, com efeito anti-inflamatório e neuromodulador. Ensaios clínicos indicam que dietas ricas em prebióticos podem melhorar o humor, reduzir ansiedade e estresse e até favorecer o sono. A literatura científica, contudo, ainda aponta necessidade de estudos com amostras maiores e maior padronização dos protocolos.

🔹 Probióticos/Psicobióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em doses adequadas, modulam a microbiota intestinal e o sistema nervoso. Meta-análises recentes mostram que probióticos podem reduzir sintomas de depressão e ansiedade, além de favorecer funções cognitivas. Embora o efeito varie conforme a cepa, a dose e o perfil clínico do paciente, o consenso atual é que os probióticos apresentam sinal mais robusto que os prebióticos.

Onde Entra a Neurometria?

Se a nutrição modula o eixo intestino–cérebro por dentro, a Neurometria traduz essas mudanças por fora, transformando a saúde intestinal em biomarcadores objetivos.

Ela mede em tempo real a resposta do sistema nervoso autônomo e do cérebro:

  • HRV/VFC e barorreflexo → equilíbrio entre simpático e parassimpático, resiliência autonômica.

  • Controle de Ansiedade (CA) → reatividade emocional e ansiedade de estado.

  • Temperatura periférica → vasodilatação/vasoconstrição (indicadores de estresse crônico).

  • Respiração (AFR e CFR) → estabilidade respiratória ligada ao foco e autorregulação.

  • EEG/POC (19–20 canais) → padrões de ativação cortical (sobrecarga, fadiga ou hiperexcitabilidade).

Protocolo Intestino–Cérebro com Neurometria (Exemplo Prático)

  1. Linha de base neurométrica (sessão 0): mapeamento completo com DLO, HRV/Baro, CA, RF, AFR/CFR e EEG/POC.

  2. Intervenção nutricional (4–8 semanas): dieta enriquecida com prebióticos e, quando indicado, probióticos/fermentados, conduzida por nutricionista.

  3. Treinos neurométricos semanais:

    • Coerência Cardíaca (CC) e VC — reforço do tônus vagal.

    • Variabilidade Emocional (VE) — autorregulação afetiva.

    • Controle de Ansiedade (CA) — manejo de pensamentos invasivos.

    • Resposta Fisiológica (RF) — atuação no nervo vago.

    • AFR/CFR — foco e estabilidade respiratória.

    • IOC/TCO (home) — manutenção personalizada entre sessões.

  4. Reavaliações: espera-se melhora nos índices de HRV, barorreflexo, reatividade emocional, controle respiratório e maior equilíbrio nos padrões corticais.

Por que Funciona como um Time?

  • Nutrição (prebióticos e probióticos) → ajusta o meio interno, modulando microbiota, SCFAs, inflamação e neurotransmissores.

  • Treinos neurométricos → ajustam o controle autonômico e cognitivo, promovendo maior flexibilidade emocional e foco.

  • Neurometria → mensura a resposta objetiva, garantindo personalização do acompanhamento.

Assim, atuamos na causa e no efeito, construindo uma abordagem integrada e baseada em evidências.

Referências

  • CRYAN, J. F.; O’RIORDAN, K. J.; COWAN, C. S. M. et al. The Microbiota–Gut–Brain Axis. Physiological Reviews, v. 99, n. 4, p. 1877–2013, 2019.

  • FOSTER, J. A.; NEUFELD, K. M. Gut–brain axis: how the microbiome influences anxiety and depression. Trends in Neurosciences, v. 36, n. 5, p. 305–312, 2013.

  • WALLACE, C. J. K.; MILEV, R. The effects of probiotics on depressive symptoms in humans: a systematic review. Annals of General Psychiatry, v. 16, n. 14, 2017.

  • KHODAKARAMI, M. R.; ASLE, R. J.; HEIDARI, H. Effects of prebiotic supplementation on mental health outcomes: a systematic review and meta-analysis. Nutrients, v. 13, n. 6, p. 1995, 2021.

  • MOLLER, S.; RICHTER, M. et al. Psychobiotics: Modulation of microbiota–gut–brain-axis in psychiatric disorders. Current Opinion in Pharmacology, v. 60, p. 74–80, 2021.

 
 
 

Comentários


bottom of page